sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Na Pressão!

Passando pela cozinha, Henrique, na época com sete anos de idade, se deteve ouvindo um chiado que vinha do fogão. Era a panela de pressão que, pelo zelo de Dona Conceição com os utensílios do lar, reluzia e refletia com um espelho, enquanto cozinhava um delicioso feijão.

De onde estava, Henrique via os seus olhos, seu nariz e sua boca refletidos na panela. Mais que isso era impossível, a cabeça do cara é... Bem! Deixa pra lá. É melhor dizer que a panela era pequenininha, 10 litros.

O tzi, tzi, tzi da panela e a sua imagem refletida foram hipnotizando Henrique, que acabou com um surto narcisista. Foi por isso que ele caminhou na direção do fogão mordendo o lábio inferior e entre um arrepio e outro sugava, ruidosamente, o ar entre os dentes. Então, bem próximo da sua imagem convexa e no auge do auto amor, ele tombou a cabeça para o lado e, apaixonadamente, se beijou.

Tziiiiiiiiiiiiiiiiii. A pele dos lábios do Henrique ficou colada na panela feito uma tatuagem. Desesperado, com a boca toda queimada, ele correu para sua mãe, que antes de socorrê-lo deu-lhe uns “pedala Conceição” na cabecinha. Disse-lhe que era pra deixar de ser burro.

Essa foi a primeira e última vez que o cara traiu o espelho do banheiro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Você escreve muiiiito bem!!!!
Tô imaginando direitinho o Henrique com a boca sem pele!!!!
Coitado!!
Parabéns pelo texto!
bjs
Márcia