A gente vai se transformando ao longo da vida, mudamos nossos conceitos, paradigmas, negamos velhos ídolos, etc... Ficamos seletivos depois exigentes e por fim rabugentos. Não sei em que fase eu estou agora, mas foi assistindo ao programa do Jô num dia destes que refleti sobre “figurinhas televisivas”, que um dia eu admirei e que agora me irritam.
Comecei por Chico Anísio, que eu considerava o máximo do humor, até que um dia numa entrevista dele à Marilia Gabriela, descobri uma faceta marrenta e deselegante do artista. Entre outras coisas ele disse que se escrevesse um filme nos EUA, certamente, ganharia o Oscar e, falando do seu relacionamento com Sonia Braga, disse que ela não gozava. Decepção!
Depois, Galvão Bueno, que havia tomado o lugar de Luciano do Vale, na minha preferência no campo da locução esportiva. Agora é um “chato”, que depois de trinta anos transmitindo esportes, pensa que no Futebol é um craque (jogando, treinando ou apitando), na Fórmula 1 é o Airton Sena, no Cuspe à distância é sei lá quem. Noutro dia, discutiu Basquete, reivindicando razão, com o Oscar Schmidt e Hortência. O cara é a marra encarnada, dispensa comentários e comentaristas.
Lembrei também do Fausto Silva, o Faustão, que nos tempos do “perdidos na noite” era show de bola, tanto que foi contratado pela Globo e está lá até hoje fazendo sucesso. Porém, é uma mala pesada, literalmente. O cara fala sem parar. Quando entrevistando alguém, ele não deixa o entrevistado responder as perguntas, interrompe aos gritos dizendo que o cara é “fera”, é pai de não sei quem, filho de não sei quem lá, marido, etc... Às vezes é interrompido pelo futebol, mas ele volta. Que coisa chata!
Agora, o próprio Jô Soares, o “rei da cocada”, o “supra-sumo da inteligência humana”. No programa ao qual me referi ele entrevistou um tal Francis Bringell, um nordestino, que ao meu juízo tem uma certa qualidade artística. Porém, o gênio, que acha obrigatório fazer graça com tudo, ridicularizou o pobre do homem. Quando o Francis, tentando ser cômico, disse que usava dois relógios porque um deles funcionava com GPS para levá-lo de volta a casa depois do cachaçal. O iluminado gordo disse que não entendeu, fazendo ar de ter ouvido uma grande bobagem. Depois usou de ironia com a empresária, ou sei lá o que, do entrevistado. Fiquei pensando pra que levaram o cara ao programa? Coisas deste tipo têm acontecido com freqüência. Outras vezes ele quer tornar engraçado um assunto sério, como quando entrevistou, há muito tempo, uma mulher que era “modelo de mão”. Parafraseando um humorista gaúcho eu diria: Jô! Não me faça te pegar nojo! Mas é tarde! Já peguei.
É melhor parar por aqui. Acho que já estou na minha fase rabugenta.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
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2 comentários:
Flávio
Concordo, plenamente, com as suas observações, exceto a rabugisse. As coisas acontecem exatamente do jeito descrito por você. Mas olha!!! Nós não estamos sozinhos não heim!!!
Então, Adlison! Está comprovado. Os caras são malas mesmo.
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