terça-feira, 11 de março de 2008

Isso é que é carro!

Os anos 1966 e 1967 foram emblemáticos quando se fala em chuvas na Cidade do Rio de Janeiro. Diziam que era porque o então Governador havia publicado um Decreto cancelando o feriado de São Sebastião. Não sei se o Chefe do Estado era dado a essas crendices, mas tratou de revogar o Decreto e até hoje temos o tal feriado em 20 de janeiro.

Bem, nesta época, num dia de janeiro de 1966 a família Feijó passeava a bordo do Citroem 1946 modelo 11BL, guiado por Seu Gentil. Além dele estavam no carro Dona Lucy, sua mulher, Dona Lydia sua sogra e seu filho Rogério. De repente aquela chuvinha fina que caía há vários dias no Rio, se transformou num temporal que inundou diversas ruas da Cidade e muitas delas faziam parte do trajeto que o Sr. Gentil traçara para retornar a casa.

Os carros se amontoavam, parados, porque seus motoristas não se arriscavam nas ruas inundadas. Porém, na rua Goiás, o Seu Gentil, confiante e corajoso, enfiou o pé no acelerador do Cintroen e se aventurou na enchente. A água, no nível dos faróis, invadiu o veículo fazendo com que a avó de Rogério o erguesse nos braços até tocar o teto do carro evitando que o menino se molhasse. Os que viam, gritavam para o Seu gentil:

- Maluco! Irresponsável! Vai matar sua família!

Finalmente, sob as orações Dona Lucy e Dona Lydia, o Citroen, que parecia uma lancha, venceu a enchente, tal qual Moisés no mar vermelho. Ao chegar do outro lado, Seu Gentil exclamou aliviado:

- Isso é que é carro!

Naquele dia o carrinho venceu muitos outros obstáculos deste tipo e a cada vitória o Seu Gentil repetia, orgulhoso, a frase.

- Isso é que e carro!

Assim foi até estacionar em sua casa com a família sã e salva. Já pronto pra dormir seu Gentil deu uma olhadinha na garagem. Fitou o carrinho, sorriu e disse mais uma vez:

- Isso é que é carro!

Foi uma noite tranqüila. Pela manhã, mal havia acabado de tomar o café Seu Gentil foi até a garagem, colocou a chave na ignição do valente Citroen, girou e ... nada! Repetiu a operação várias vezes e ... nada! Então, apelou:

- Vamos dar um tranco pra fazer pegar

Juntou-se uma galera, empurra daqui, empurra dali e ninguém conseguiu mover o carro um milímetro. Tentaram um reboque e nada. O Citroen estava arredio e completamente travado.

O inesquecível carro da família Feijó estaria imóvel naquela garagem até hoje, se não tivesse sido içado para a carroceria de um caminhão que o levou para sua última morada, um “ferro velho”.

Um comentário:

ADILSON disse...

Teria o carrinho infartado depois de tanto esforço?